Quando se chega em Havana fica evidente o uso das propagandas do governo para relembrar a importância da Revolução, sempre com mensagens positivas, de autoria de José Martí, Che Guevara e Fidel Castro. Estas frases estão pintadas nos muros por toda parte, com os dizeres (traduzidos): "Viva a Revolução", "Até a vitória sempre", "Pátria ou morte", "Ano 60 da Revolução", "Cuba é nossa", "A palavra ensina, o exemplo guia", "Cuba Livre", entre outros.
Tem música dedicada ao Che Guevara, como: Hasta Siempre. Também fiquei impressionada com a quantidade de estátuas em homenagem a José Martí (sugiro a leitura do texto de Frei Betto - http://www.freibetto.org/index.php/artigos/14-artigos/36-marti-e-a-revolucao-cubana). Em qualquer esquina há a venda de livros (que aliás são muito baratos e super acessíveis), você encontra livros de autoria dos revolucionários, contando, também, com Raul Castro. Tem livros com os discursos, de carta aos jovens, poesias de autoria deles. Além destes livros, como estava hospedada próxima a Universidade de Havana, havia muitos da área da saúde, mas como uma vertente mais social e comunitária, três volumes do Tratado de Saúde da Família e Comunidade custavam 90 CUP (Peso Cubano), que em peso convertido (CUC), moeda usada pelos turistas, custa 3.39 CUC, sendo o total de 13 reais.
Outro lugar que é de visita obrigatória, é o Museu da Revolução, que fica na Havana Velha (Havana antiga), e conta a história de homens e mulheres revolucionários!
Antes da Revolução, o Capitólio de Cuba, inspirado no Capitólio americano, tinha uma bandeira estadunidense no topo de sua abóbada, tamanha era a "influência", para não dizer domínio americano no território cubano. Cuba era considerada a ilha de diversões dos norte-americanos e sede frequentada pela máfia. O Hotel Nacional (outro lugar que é de visita obrigatória, com passeio guiado às 10h e shows à noite) foi local de encontro de centenas de mafiosos americanos e sicilianos que discutiram a repartição de negócios ilícitos e a implantação de jogos de azar, em dezembro de 1946, organizado por Charles Lucky Luciano.
Provavelmente se não tivesse ocorrido a Revolução Cubana, Cuba seria hoje um grande resort, com cassinos e muita desigualdade social (tipo Haiti), com grande influência americana e nenhuma autonomia do povo cubano.
A Revolução Cubana foi um movimento popular, que derrubou o governo do presidente Fulgêncio Batista, em janeiro de 1959. A Revolução foi de princípios socialistas, planejava derrubar o governo e acabar com a corrupção e com a influência norte-americana na ilha.
Eu estava lá na mudança do governo, em 19 de abril de 2018, após ser eleito pela Assembleia, elegeram Miguel Díaz-Canel como sucessor de Raul Castro. Fiquei muito feliz em presenciar este momento histórico. Ao perguntar para o senhor que me hospedou, sobre o que achava do novo governo, disse a mim: _Miguel já teve experiência em todos os cargos possíveis, porém o espírito de liderança, com o de Fidel, nasce de tempos em tempos... E olha, que este senhor conhecia pessoalmente o Fidel e a família de sua esposa ajudou na revolução cozinhando para os revolucionários. Logo, não é uma mera opinião.
Em Cuba, tive o desprazer de discutir com um... posso dizer "coxinha". Por azar, ao tentar pegar um carro, descobri que era um brasileiro, esperando a mulher, que estava no mesmo evento que eu e tinham alugado um carro. Feliz por encontrar um conterrâneo, logo fui partilhando com ele a emoção de estar ali e ter tirado a foto com o médico que exumou e identificou os restos mortais de Che Guevara e também liderou a exumação do ex-presidente brasileiro João Goulart. Ele foi logo me atravessando, e disse: _Este Che Guevara é um arruaceiro e Cuba é uma mentira!". Justificou: como se a saúde era boa, e viu pessoas sem dentes, e questionou, que Che Guevara não tinha direito de sair por aí, fazendo "bagunça", e que se fossem socialistas de verdade, teriam derrubado o Capitólio... Respirei, e retruquei... Existem pessoas utópicas, que sonham com mundo melhor, e têm o direito de lutar por isso. Sobre a saúde, Cuba é uma ilha com poucos recursos, e por isso, investem mais em prevenção, porém todos têm acesso a serviços de saúde, inclusive de saúde bucal (que lá eles chamam de estomatologia). Sobre o Capitólio, se os trabalhadores cubanos o construíram, a eles pertencem. E por fim, completei... se não tivesse ocorrido a Revolução, provavelmente, os cubanos estariam limpando a latrina que os norte-americanos sujassem em algum resort. Não se dando por satisfeito, segurou meu braço e me mandou calar a boca... e retrucou: Você já foi em Cancun, México? Lá que é bom! Se não tivesse tido a revolução, aqui seria padrão Cancun... Pedi para largar meu braço e queria encerrar a discussão ali, pois de nada adiantava, sendo que temos visões de mundo diferentes: a dele, Cacun, a minha, um país sem analfabetismo, todas as crianças na escola, sem fome, sem moradores de rua, com mortalidade infantil (até 1 ano de idade) de 4 por 1000 nascidos vivos, enquanto no Brasil, segundo o IBGE, em 2015, era de 13,3 para cada 1 mil nascidos vivos, e recentemente, em 2018 (dados do UNICEF) foi registrado uma alta de 5%, sendo 18 óbitos para cada 1 mil nascidos vivos, depois de 26 anos em queda .



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